CAR Express
Guia técnico

Como classificar o uso do solo com o CAR Express no QGIS

Aprenda a classificar visualmente o uso do solo no QGIS com o CAR Express: amostre as classes no raster e gere um vetor limpo, pronto para o fluxo do CAR.

Por Equipe CAR Express

A Classes-Visual do CAR Express transforma um raster em um vetor de uso do solo já limpo: você amostra as classes clicando sobre a imagem, e a ferramenta reconstrói as fronteiras entre elas — sem o efeito serrilhado típico da classificação direta por pixel.

Antes de começar

Este passo a passo considera o QGIS 3.40.

Tenha pronto, no projeto QGIS:

  • o raster georreferenciado que será classificado, preferencialmente já reprojetado em UTM;
  • opcionalmente, um limite vetorial para recortar a área de trabalho (por exemplo, a ATI_UTM do imóvel); e
  • o CRS do projeto conferido antes de começar.

Para facilitar a leitura visual das classes, é comum abrir antes uma composição falsa-cor e a camada de NDVI do mesmo raster, alternando entre elas para decidir onde amostrar cada classe.

Imagem em falsa-cor carregada no QGIS, usada como apoio visual para a classificação.

Figura 1 — Composição falsa-cor do raster de 2008, usada para localizar visualmente as classes antes da amostragem.

Camada de NDVI do raster de 2008 exibida no QGIS como apoio à classificação visual.

Figura 2 — Camada de NDVI do mesmo raster, alternada com a falsa-cor para apoiar a leitura das classes.

Como configurar a classificação

Configurar o raster, o recorte e os parâmetros

  1. Na barra do CAR Express, abra a ferramenta Classes-Visual.

    Barra do CAR Express no QGIS com a ferramenta Classes-Visual aberta.

    Figura 3 — Ferramenta Classes-Visual aberta a partir da barra do CAR Express.
  2. Escolha o raster de trabalho — a imagem que será amostrada.

    Diálogo de seleção do raster de trabalho na ferramenta Classes-Visual.

    Figura 4 — Seleção do raster de trabalho para a classificação.
  3. Selecione a camada de recorte, como o limite do imóvel.

    Diálogo de seleção da camada de recorte da área de trabalho.

    Figura 5 — Seleção da camada de recorte (ATI_UTM) para limitar a área de trabalho.
  4. Defina o ano de referência da classificação — o mesmo ano do raster de origem.

    Campo de definição do ano de referência da classificação, junto do número de classes e da área mínima.

    Figura 6 — Definição do ano de referência da classificação.
  5. Ajuste o número de classes. Sempre que possível, use duas — a separação entre antropizado e natural tende a reduzir erros de amostragem.

    Campo de número de classes ajustado para o valor 2.

    Figura 7 — Número de classes ajustado para duas: antropizado e natural.
  6. Defina a área mínima de polígono no resultado. Quanto menor o valor, mais polígonos pequenos aparecem no vetor final.

    Campo de área mínima de polígono definido em 0,125 hectares.

    Figura 8 — Área mínima de polígono definida em 0,125 ha.
  7. Escolha o caminho de saída do shapefile ou GeoPackage que vai receber o resultado.

    Diálogo de salvamento do arquivo de saída da classificação visual.

    Figura 9 — Diálogo de salvamento do resultado da classificação.

Como amostrar as classes no raster

Com a configuração confirmada, a ferramenta entra em modo de amostragem: clique esquerdo adiciona um vértice, clique direito fecha o polígono, Esc cancela o polígono atual e o botão Desfazer remove o último polígono desenhado.

Amostre primeiro a classe antropizada (FORMADO), desenhando alguns polígonos representativos.

Primeiro polígono de amostra desenhado sobre uma área antropizada, classe FORMADO.

Figura 10 — Primeiro polígono de amostra da classe FORMADO.

Quarto polígono de amostra da classe FORMADO, reforçando a variedade de tons amostrados.

Figura 11 — Quarto polígono reforçando a amostra da classe FORMADO.

Em seguida, passe para a classe de vegetação nativa (NATIVO) e repita o processo.

Primeiro polígono de amostra desenhado sobre uma área de vegetação nativa, classe NATIVO.

Figura 12 — Primeiro polígono de amostra da classe NATIVO.

Terceiro polígono de amostra da classe NATIVO, fechando a etapa de amostragem.

Figura 13 — Terceiro polígono fechando a amostra da classe NATIVO.

Classes protegidas e suavização de bordas

Classes lineares ou estreitas — como uma faixa fina de vegetação ao longo de um curso d’água — podem desaparecer durante a suavização das bordas. Marque como protegida qualquer classe que precise manter esses trechos finos no resultado final.

Diálogo de seleção das classes lineares ou estreitas a marcar como protegidas.

Figura 14 — Seleção das classes que devem ser marcadas como protegidas.

Classe FORMADO marcada como protegida no diálogo de configuração.

Figura 15 — Classe FORMADO marcada como protegida antes de confirmar.

Por fim, escolha o nível de suavização das bordas do resultado — quanto maior o nível, mais arredondadas ficam as fronteiras entre as classes.

Controle de nível de suavização das bordas do resultado vetorial.

Figura 16 — Escolha do nível de suavização das bordas do vetor final.

Conferir o resultado

Ao final, a ferramenta mostra a contagem de polígonos por classe.

Mensagem de conclusão da classificação, com a contagem de polígonos de cada classe.

Figura 17 — Classificação concluída, com a contagem de polígonos por classe.

Compare o vetor gerado com a imagem de origem e com uma imagem de satélite de apoio antes de seguir para a próxima etapa.

Resultado vetorial da classificação sobreposto à imagem em falsa-cor, com as classes em cores distintas.

Figura 18 — Vetor da classificação sobreposto à imagem em falsa-cor.

Resultado vetorial da classificação sobreposto a uma imagem de satélite de referência.

Figura 19 — O mesmo vetor sobreposto a uma imagem de satélite de referência.

O resultado sai como shapefile completo (.shp, .shx, .dbf, .prj) ou GeoPackage, com os campos CLASSE, DESCRICAO, AREA_HA e TIPO — este último é o campo que a Calculadora AC/ANC/AVN exige nas duas classificações de entrada.

Explorador de arquivos com o shapefile gerado pela classificação visual: .shp, .shx, .dbf e .prj.

Figura 20 — Arquivos do shapefile gerados na pasta de saída.

Problemas comuns

  • Arquivo bloqueado ao salvar: remova a camada do projeto, feche o OneDrive (ou outro sincronizador de pasta) e tente novamente.
  • Resultado fragmentado, com muitos polígonos pequenos: aumente a área mínima de polígono ou refine as amostras, evitando bordas e áreas heterogêneas.
  • Classes confusas no resultado: melhore a separação entre as amostras, evitando polígonos que misturem alvos de classes diferentes.
  • Uma faixa fina de vegetação sumiu depois da suavização: marque a classe correspondente como protegida antes de gerar o resultado.

Depois de classificar as duas épocas (2008 e atual), use o ajuste fino de classes para corrigir pontos específicos, se necessário, e siga para a Calculadora AC/ANC/AVN.

Referências

Fontes verificadas em 31 de julho de 2026.